Parei o carro
Não consegui estacionar no local habitual
Mesmo de frente para o sol
Neste caso para a lua
Porque estava um casal de namorados a ocupar o nosso sítio
Sim o nosso,aquele será sempre o nosso sítio
Assim, tive de ficar um pouco mais atras
Entre a linha do comboio e a estrada de acesso ao nosso sítio
Estava a começar a escrever aqui
Exactamente aqui no meu blog
Era a forma que tinha de te escrever a ti
Nao agüentava mais nao escrever mas sentia que nao o podia fazer a ti directamente
Em respeito do teu silêncio
Em respeito da tua dor
E estava exactamente a pensar por onde começar
O que dizer
Quando de rompante
Um carro passa por mim em velocidade
Na minha visão míope nao consegui ter a certeza se eras tu
Mas o meu coração acelerou
A minha respiração parou
E todo o meu corpo banhado de calafrios me fez tremer as mãos, os braços, a cabeça...
Passas de novo em alta velocidade por mim
Só consegui ter a certeza que eras tu quando, a custo, verifiquei a matricula
Porque não paraste?
Porque foste embora?
...
Como é possível...?
Que em tantas horas do dia tenhas ido àquele sítio ao mesmo tempo do que eu...?
A natureza afinal ainda conspira a nosso favor
Senti o misto da felicidade deste inesperado, deste acaso
Com a infelicidade de teres ido embora
Todo o meu corpo tremia agora ainda mais...
Como se um frio medonho se apoderasse de mim
Coloquei as minhas mãos sobre o volante, debrocei-me e chorei...
...
...
O fim nunca é um fim
Sem ser o inicio de algo
E o inicio de algo será sempre o fim de outro algo
Aprendi a nao buscar fins nem inicio
E a saborear momentos
Como aquele em que
Inesperadamente sais do carro
Já depois de nos termos despedido e irmos embora
E vens
Das-me um beijo
Com as tuas mãos no meu rosto e dizes
"bom ano para ti"
Este foi o meu beijo
O meu primeiro beijo de 2012
Bom ano também para ti amor...
sábado, 31 de dezembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Quando me chamas "doce"

"A vida é um caminho de sombras e luzes.
O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes."
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Somos...
Gostava de poder dizer
que o mar às vezes é roxo
e que as ondas encrespatadas espumam gotículas verdes
e que as folhas das árvores são cubos
e as flores do campo uns túneis transparentes
Gostava de poder dizer
que o ar que respiro é o teu
e que a minha pele vibra ao toque em ti
e que as tuas emoções são espirais sem princípio nem fim
e o meu ser apenas uma miragem tua
Gostava de poder dizer
que o roxo está nos meus fios de cabelo
e o verde nos raios finos dos teus dedos
e que nas espirais do sentido e não sentido, há a miragem do tunel presente
e que encontro a imagem do futuro de nós...
Gostava de poder dizer
que nada mais é, existe ou acontece, senão nós
e que nesse nós eu me entrego
e que nesse nós eu estou entregue
e que nesse nós sou... somos...

que o mar às vezes é roxo
e que as ondas encrespatadas espumam gotículas verdes
e que as folhas das árvores são cubos
e as flores do campo uns túneis transparentes
Gostava de poder dizer
que o ar que respiro é o teu
e que a minha pele vibra ao toque em ti
e que as tuas emoções são espirais sem princípio nem fim
e o meu ser apenas uma miragem tua
Gostava de poder dizer
que o roxo está nos meus fios de cabelo
e o verde nos raios finos dos teus dedos
e que nas espirais do sentido e não sentido, há a miragem do tunel presente
e que encontro a imagem do futuro de nós...
Gostava de poder dizer
que nada mais é, existe ou acontece, senão nós
e que nesse nós eu me entrego
e que nesse nós eu estou entregue
e que nesse nós sou... somos...
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Aconteceu? O que é que aconteceu?
Sofia está a trabalhar. São 16.30 da tarde. Há pouco eram 16.20 e antes eram 16h e um pouco antes eram 15.50 e antes ainda eram...
A contagem do tempo é algo que tem feito agora muito mais... agora desde há dois dias.
Agora desde que tudo aconteceu...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
Sofia está a trabalhar no seu gabinete quadrado.
Tem uma janela, de parede a parede, nas suas costas.
Á sua frente, do lado direito, é a porta. Está meio fechada. Nos ultimos dias tem estado quase sempre assim, meio fechada... Ou meio aberta, como queiram.
As paredes do seu gabinete são de um castanho laranja torrado, mesclado com um castanho mais escuro. Daquela vista que faz lembrar os veios dos troncos das árvores, sabem?
E não são lisas, têm uma espécie de molduras em metal.
Na verdade as paredes são mesmo em madeira, em módulos quadrados, que se montam e desmontam e por isso têm as molduras em metal. Até daria para, pelo menos na parede da frente que dá para o corredor, substituir alguns deles por módulos em vidro. Nesse caso, todos os que passassem no corredor viriam a Sofia sentada na sua secretária cor de mel e preto...
Ela hoje está de preto e branco. Tem um vestido de cavas que é mini-saia e uma camisola de gola alta branca. Está com um ar muito mais sexy que o habitual. Os sapatos são pretos com uma fivela a passar o peito do pé, como se fosse uma bailarina.
Sofia está a trabalhar ao computador com os seus mais de dois email's ligados mas os seus olhos só veêm efectivamente um deles... e não consegue parar de pensar no que aconteceu...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
Sofia precisa de responder a uma notificação do Estado. Já redigiu quatro vezes a resposta, passaram as 16.30, 16.20, 16h, 15.50, e as... e ainda não conseguiu sequer firmar a estutura do seu requerimento...
Sente as letras a bailarem à sua frente, confunde as datas das cartas que precisa anexar ao seu requerimento, até a imagem do ecrã lhe começa a vir desfocada e confusa...
Está sentada, começa a recostar-se, sente uma espécie de sensação de mau-estar, ou pelo menos convence-se disso.
Bebe água, sente-se a ficar com muito calor.
As suas faces começam a ruborizar-se
Os seus pensamentos são segredos plantados em terras rosadas.
Aconteceu? O que é que aconteceu?
No computador a imagem é a mesma, o requerimento. No email a imagem é mesma, 0 de mensagens novas, no outro email mantêm-se os contactos de trabalho.
Começa a sentir uma vontade de inspirar mais profundamente, de se alhear... o seu peito começa a enrijecer, os seus mamilos a empertigarem-se...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
A sua boca está seca.
As vozes que se ouviam na sala de reuniões do lado começam a ficar mais tímidas, o seu corpo está determinado e clama em altos brados! Nada o pode parar!
E geme silenciosamente como um trovão que ecoa nas paredes do seu ser.
...
Levanta-se trémula, meio soada, as faces coradas.
Treme e sente dificuldade em aguentar-se nas suas pernas...
Navegou até às profundezas do seu ser, ao cerne da cebola.
E agora, com as suas folhas escamiformes retiradas, sente frio...
o frio da sua ausência...

A contagem do tempo é algo que tem feito agora muito mais... agora desde há dois dias.
Agora desde que tudo aconteceu...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
Sofia está a trabalhar no seu gabinete quadrado.
Tem uma janela, de parede a parede, nas suas costas.
Á sua frente, do lado direito, é a porta. Está meio fechada. Nos ultimos dias tem estado quase sempre assim, meio fechada... Ou meio aberta, como queiram.
As paredes do seu gabinete são de um castanho laranja torrado, mesclado com um castanho mais escuro. Daquela vista que faz lembrar os veios dos troncos das árvores, sabem?
E não são lisas, têm uma espécie de molduras em metal.
Na verdade as paredes são mesmo em madeira, em módulos quadrados, que se montam e desmontam e por isso têm as molduras em metal. Até daria para, pelo menos na parede da frente que dá para o corredor, substituir alguns deles por módulos em vidro. Nesse caso, todos os que passassem no corredor viriam a Sofia sentada na sua secretária cor de mel e preto...
Ela hoje está de preto e branco. Tem um vestido de cavas que é mini-saia e uma camisola de gola alta branca. Está com um ar muito mais sexy que o habitual. Os sapatos são pretos com uma fivela a passar o peito do pé, como se fosse uma bailarina.
Sofia está a trabalhar ao computador com os seus mais de dois email's ligados mas os seus olhos só veêm efectivamente um deles... e não consegue parar de pensar no que aconteceu...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
Sofia precisa de responder a uma notificação do Estado. Já redigiu quatro vezes a resposta, passaram as 16.30, 16.20, 16h, 15.50, e as... e ainda não conseguiu sequer firmar a estutura do seu requerimento...
Sente as letras a bailarem à sua frente, confunde as datas das cartas que precisa anexar ao seu requerimento, até a imagem do ecrã lhe começa a vir desfocada e confusa...
Está sentada, começa a recostar-se, sente uma espécie de sensação de mau-estar, ou pelo menos convence-se disso.
Bebe água, sente-se a ficar com muito calor.
As suas faces começam a ruborizar-se
Os seus pensamentos são segredos plantados em terras rosadas.
Aconteceu? O que é que aconteceu?
No computador a imagem é a mesma, o requerimento. No email a imagem é mesma, 0 de mensagens novas, no outro email mantêm-se os contactos de trabalho.
Começa a sentir uma vontade de inspirar mais profundamente, de se alhear... o seu peito começa a enrijecer, os seus mamilos a empertigarem-se...
Aconteceu? O que é que aconteceu?
A sua boca está seca.
As vozes que se ouviam na sala de reuniões do lado começam a ficar mais tímidas, o seu corpo está determinado e clama em altos brados! Nada o pode parar!
E geme silenciosamente como um trovão que ecoa nas paredes do seu ser.
...
Levanta-se trémula, meio soada, as faces coradas.
Treme e sente dificuldade em aguentar-se nas suas pernas...
Navegou até às profundezas do seu ser, ao cerne da cebola.
E agora, com as suas folhas escamiformes retiradas, sente frio...
o frio da sua ausência...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Viagem...
Todos temos sonhos
Todos nos perdemos nos sonhos
Eu encontro-me num sonho
No sonho de me procurares aqui
No sonho de me encontrares aqui
No sonho de ser livre contigo aqui
Hoje
viajei até a esse sonho
Sei que apenas me conduziste
Mas um dia
Eu e tu seremos conduzidos
Eu e tu
seremos livres aqui
Eu e tu
sonharemos juntos aqui...

Todos nos perdemos nos sonhos
Eu encontro-me num sonho
No sonho de me procurares aqui
No sonho de me encontrares aqui
No sonho de ser livre contigo aqui
Hoje
viajei até a esse sonho
Sei que apenas me conduziste
Mas um dia
Eu e tu seremos conduzidos
Eu e tu
seremos livres aqui
Eu e tu
sonharemos juntos aqui...

domingo, 2 de outubro de 2011
Sete cadernos pretos
"António desceu apressadamente as escadas para a sua cave. Cheirava à vela acesa da noite anterior. Entrou no seu gabinete e os seus sete cadernos pretos, tamanho A5, não estavam no mesmo lugar. Procurou-os em stress e lembrou-se de se concentrar no seu olfato. Tinha entornado um café em cima de um deles e no meio do nervosismo a grande mancha na capa nem sequer tinha tido uma tentativa de ser limpa. Os seus sete cadernos agoram eram seis mais um.
Sentou-se na sua cadeira de escritório e abriu a gaveta à sua frente por baixo do tampo da mesa. Tacteou apressadamente e sentiu uma espécie de gancho sobre uma superfície plana. O gancho castanho com a estrela azul celeste que prendeu os cabelos ruivos da Sara. Tinha-se esquecido que estava agora preso ao seu caderno de capa preta e interior branco pautado, contendo uma caligrafia apressada a verde. Os seus sete cadernos agora eram cinco mais dois.
Lembrou-se que a gaveta era funda e logo encontrou outro dos seus cadernos A5 apesar de a forma estar ligeiramente diferente. Puxou-o para si e sobressaía aquele marcador de livros com o malmequer na ponta que quando lhe foi oferecido lhe lembrou o cheiro campestre da casa dos seus avós na Guarda. Afinal aquele seu terceiro caderno, de conteúdo quadriculado e com fórmulas matemáticas, cuidadas e certinhas, que normalmente usava nos seus estudos de estatística, só podiam ter o tom preto e carregado que tem uma estatística.
Estava atrasado.
Levantou-se apressadamente com os três cadernos pretos debaixo do braço e ao virar-se, viu na estante branca sob parede laranja, dois dos seus cadernos. Estavam ligados por um clips grosso que também prendia os pedaços da carta rasgada do dia anterior. Gostava muito de poder aceitar o convite para aquele Baptizado mas já tinha passado a idade de ir a esse tipo de eventos só porque sim ou parecer bem.
Saiu do seu gabinete ainda de odor à vela do dia anterior, mas agora misturado com o cheiro do café e das flores do campo. Suavemente ouviu a melodia do "graças Senhor" que a Sara lhe tocou no dia anterior. Foi até ao seu piano e lá estava o seu caderno preto de interior musical e com a pauta que ela tinha composto...
------------------------------------------------------------------------------ (12m)
Respirou o compasso daquelas páginas brancas pingadas de notas vestindo preto.
Enibriou-se dos dedos delgados e compridos que suavemente beijaram as teclas do seu piano.
Frenéticamente se enganchou nos traços e nas rugas daquele rosto moreno que o chamou. E na doce alfazema da lonjura do vestido de Sara.
O pulsar ferido do seu coração foi teclando, então, a acalmia das manhãs outonais no lago."
Sofia MM

Sentou-se na sua cadeira de escritório e abriu a gaveta à sua frente por baixo do tampo da mesa. Tacteou apressadamente e sentiu uma espécie de gancho sobre uma superfície plana. O gancho castanho com a estrela azul celeste que prendeu os cabelos ruivos da Sara. Tinha-se esquecido que estava agora preso ao seu caderno de capa preta e interior branco pautado, contendo uma caligrafia apressada a verde. Os seus sete cadernos agora eram cinco mais dois.
Lembrou-se que a gaveta era funda e logo encontrou outro dos seus cadernos A5 apesar de a forma estar ligeiramente diferente. Puxou-o para si e sobressaía aquele marcador de livros com o malmequer na ponta que quando lhe foi oferecido lhe lembrou o cheiro campestre da casa dos seus avós na Guarda. Afinal aquele seu terceiro caderno, de conteúdo quadriculado e com fórmulas matemáticas, cuidadas e certinhas, que normalmente usava nos seus estudos de estatística, só podiam ter o tom preto e carregado que tem uma estatística.
Estava atrasado.
Levantou-se apressadamente com os três cadernos pretos debaixo do braço e ao virar-se, viu na estante branca sob parede laranja, dois dos seus cadernos. Estavam ligados por um clips grosso que também prendia os pedaços da carta rasgada do dia anterior. Gostava muito de poder aceitar o convite para aquele Baptizado mas já tinha passado a idade de ir a esse tipo de eventos só porque sim ou parecer bem.
Saiu do seu gabinete ainda de odor à vela do dia anterior, mas agora misturado com o cheiro do café e das flores do campo. Suavemente ouviu a melodia do "graças Senhor" que a Sara lhe tocou no dia anterior. Foi até ao seu piano e lá estava o seu caderno preto de interior musical e com a pauta que ela tinha composto...
------------------------------------------------------------------------------ (12m)
Respirou o compasso daquelas páginas brancas pingadas de notas vestindo preto.
Enibriou-se dos dedos delgados e compridos que suavemente beijaram as teclas do seu piano.
Frenéticamente se enganchou nos traços e nas rugas daquele rosto moreno que o chamou. E na doce alfazema da lonjura do vestido de Sara.
O pulsar ferido do seu coração foi teclando, então, a acalmia das manhãs outonais no lago."
Sofia MM
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Para ti...
Para ti...
Para ti os primeiros raios de sol que me aquecem
Para ti a brisa matinal que sopra os meus cabelos
Para ti o movimento empurrado da manhã que me impele à vida corrente
Para ti os laços e enlaços dos pássaros que se cruzam
Para ti o cheiro da terra que se inala e perfuma a áurea do meu ser
Para ti a vontade de pisar o chão e não conseguir a firmeza das certezas inabaláveis
Para ti a doce melodia de Outuno que se assobia e me transporta na viagem dos teus sonhos
Para ti o conforto do quente abraço partilhado nas estendidas partículas do pensamento
Para ti o fresco sentido da água que se esgota nos recantos do meu corpo nú e solto
Para ti o arfar do grito que se destapa dos preconceitos e das regras morais
Para ti a sedosa pincelada da manhã que se deixa acabar na esperança de uma nova
Para ti o renascer
do que suavemente alicerço no fundo de mim...

Para ti os primeiros raios de sol que me aquecem
Para ti a brisa matinal que sopra os meus cabelos
Para ti o movimento empurrado da manhã que me impele à vida corrente
Para ti os laços e enlaços dos pássaros que se cruzam
Para ti o cheiro da terra que se inala e perfuma a áurea do meu ser
Para ti a vontade de pisar o chão e não conseguir a firmeza das certezas inabaláveis
Para ti a doce melodia de Outuno que se assobia e me transporta na viagem dos teus sonhos
Para ti o conforto do quente abraço partilhado nas estendidas partículas do pensamento
Para ti o fresco sentido da água que se esgota nos recantos do meu corpo nú e solto
Para ti o arfar do grito que se destapa dos preconceitos e das regras morais
Para ti a sedosa pincelada da manhã que se deixa acabar na esperança de uma nova
Para ti o renascer
do que suavemente alicerço no fundo de mim...

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