domingo, 8 de abril de 2012

Esperança...

Une-nos e liga-nos a fé
A crença em algo mais
A certeza de uma força que conduz nossos passos,
que nos ampara quando fraquejamos,
que é a nossa alegria
que é a nossa sintonia ao sentido transcendente dos sentidos
e ás mil e uma respostas, sinais e confortos da natureza...
Une-nos e liga-nos o vibrar do coração
na busca de algo mais,
na busca da plenitude,
da eternidade...
Une-nos e liga-nos a certeza do acreditar...
acreditar que tudo o que quisermos pode ser possível,
porque o amor de Deus nos deu o livre-arbítrio mas também o ombro amigo, calmo, sereno e compreensivo...

Resta-me a esperança...
de que a Paz volte a inundar o meu ser...
e seja possível voltar a sentir a plenitude que faz flutuar
na dimensão única do amor...

sábado, 7 de abril de 2012

Hoje lembrei-me de ti...

Hoje lembrei-me de ti... e só te vi uma vez e foi há três anos atrás. Não sei o teu nome, não sei a tua idade, não sei onde moras nem com quem, não sei os teus gostos e preferências, não recordo nenhum traço fisico teu em particular a não ser o teu cabelo ruivo, não sei dos teus sonhos, nem das tuas alegrias ou tristezas... e no entanto... estiveste comigo no momento mais feliz da minha vida...! 
Lembro-me da expressão do teu rosto, sem me lembrar dos teus olhos, nem da tua boca, nem do teu nariz, nem de nada mais físico em ti... lembro-me da tua surpresa acompanhada da mesma expressão facial e, no mesmo instante, da tua exclamação "está pronta".
Ficaste agitada logo a seguir, nem olhaste para mim, mas privaste comigo um momento muito íntimo... Foste a única mulher que me penetrou...
E depois de tantas horas de espera... e de tanta ansiedade... e de tanta gente a mexer-me... os teus dedos delicados fizeram a diferença... foste meiga... foste calma... fizeste-o lentamente... e apesar de a seguir te teres agitado... e mesmo que para ti eu tenha sido só mais uma... foi especial para mim...
E depois de ti... só um homem o fez da mesma forma...

Hoje lembrei-me de ti... e passados três anos foi a primeira vez que me vieste à memória mais intensamente... Naquele dia, há três anos atrás, fizeste-me esquecer tudo e todos... naquele momento, só te queria a ti a meu lado... Foste tu que me agarraste na mão... foste tu que me segredaste... foi a ti que ouvi em primeiro lugar depois do grito de vida da minha filha! As tuas poucas mas suaves palavras entraram em mim intensamente... desliguei para o resto do Mundo...
E depois de ti... só um homem o fez da mesma forma...

Nunca mais te vi... nem mesmo naquele mesmo dia, passadas algumas horas, ou nos dias em que lá estive... quis saber de ti, quis perguntar por ti... mas... não sabia o teu nome, nem a tua idade, nem onde moravas ou com quem, não sabia os teus gostos e preferências, nem recordei nenhum traço fisico teu em particular a não ser o teu cabelo ruivo e os teus dedos da mão direita... delicados... finos... mas como reagiriam todos, se eu, uma recém mãe, perguntasse pela enfermeira de dedos finos e suaves e cabelo ruivo?
Estás no meu coração... mesmo que não te veja há três anos e só te tenha visto uma vez.
Percebi que hoje me lembrei de ti mais intensamente porque te dei um nome... Sónia. Estava dentro de mim mas só hoje percebi... Não me perguntes porquê este nome. Foi o nome que senti e eu nem gosto particularmente dele. Mas é o "S" que nos liga... só pode ser o "S"...
E depois de ti... só um homem o teve da mesma forma...

Obrigada por tudo Sónia...
Pela minha filha que nasceu rápido e sem sofrimento, nem para mim nem para ela, porque tu estavas lá... e pela ligação das pontas do "S"...
Desvendei o maior mistério da minha vida... porque depois de ti...
Só um homem mo fez sentir da mesma forma... 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

De pernas para o ar...

Hoje perdi-me... perdi-me mesmo... não, não estou a falar daquelas vezes em que me perco em mim. Em que meus olhos se fixam no espaço, em que meus ouvidos se enclausuram do Mundo, e em que meu corpo aparantemente estático na verdade flutua... Não, não é isso.
Hoje perdi-me... perdi-me mesmo... ia no carro e de repente... foi como se estivesse noutra cidade, noutro País, noutro Mundo...! Percorri duas vezes a mesma estrada em sentidos diferentes, dei em rotundas voltas desnecessárias... perdi a rota... perdi o rumo... perdi-me mesmo...
Ia de carro sim, já escrevi isso não já? Pois... e sim era de dia, foi o que me salvou... havia trânsito e os carros buzinaram muito... Eh pá senti-me de pernas para o ar mas acho que isso me despertou!
E finalmente fui parar onde acho que queria ir... Digo acho porque, como já vos disse ontem, a maior certeza que tenho é a incerteza portanto, como posso ter certeza que era ali que queria ir?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Vento...

"A melodia transporta um sentido próprio que preenche os momentos, que os harmoniza" Ou não... Esta que ouço Que habita agora na minha cabeça Nos meus sonhos Nos meus pensamentos Esta grita-me! Esta rebenta com o sentido dos meus sentidos! E sabem porquê? Porque naquela noite Saí à rua sozinha, descalça, quase sem roupa Mas nada disso importava se fosse para vê-lo Saí à rua...? Confundo-me... Já não sei se saí ou não saí Ou se dormi Ou se acordei Ou se simplesmente não sei e talvez neste saber a incerteza seja a maior certeza Mas lembro-me daquele ruído imenso que agora transporto em mim Lembro-me da dor de o ouvir Da dor de o suportar Aquela zoada... aquele remoinho crescente como um calor que cresce em hora de tesão violenta! Um ruído cada vez maior, cada vez mais intenso, cada vez mais audível! Eu não tenho momentos para preencher, Então porque é que esta melodia me persegue...?

vai passar Isabel...

sem explicação...

domingo, 1 de abril de 2012

Cristais coloridos

As gotas cintilantes desta manhã
Bateram suavemente na vidraça da minha janela 
E à sua melodia ritmada
Fui despertando para um novo dia 
Sinto-as quentes, brilhantes e finas 
Quase como cristais
Que nas minhas mãos vão repousando 
Reflectindo as cores vivas do arco-íris
O laranja devolve-me o sorriso 
O azul o conforto 
O amarelo a alegria 
O vermelho a paixão 
O lilás a perseverança 
O verde a esperança 
O anil a fé...
Permaneço repousadamente 
Sorvendo o cheiro da terra molhada 
E deixando que cada pequeno cristal role pelo corpo despido 
Despido das agruras da vida 
Despido das duvidas, dos "ses", dos "talvez"
Despido do negativismo
Despido dos medos 
E pleno da leveza, da pureza, da liberdade do linho branco que dos campos brotou...!