quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Estou feliz...

Duas pequenas palavras
de forma natural, genuína, expontânea 
Irradiaram luz
como raios de sol
como pétalas de estrela
como gotas de lua 
E acenderam 
a mais densa calma,
a mais crente certeza,
a mais profunda felicidade, 
que só o rasto do amor circunscreve.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Regresso do sol

Sobrepôr a minha mão na tua
Sentir a tua sobreposta na minha
Erguer uma torre,
como dizendo: é nosso  

Subir ao ponto mais alto 
Sentir a tua presença na minha
Erguer os meus olhos 
como dizendo: preciso de ti

Inspirar fundo 
Sentir-me tua  
Erguer-me 
como dizendo: olha amor, o sol regressou!

O meu nome dito por ti...

Queria ouvir o meu nome, agora, dito por ti
Queria que me chamasses, agora...
Tenho saudades, de todas as vezes em que o meu nome foi dito por ti
Tenho saudades que me chames pelo meu nome
Agora são poucas as vezes em que o ouço,
E não quero pensar que amanhã será ainda mais raro
Não sei como preencher este vazio
A ausência do meu nome em ti
Agora são poucas as vezes em que o ouço,
E não quero pensar que nunca mais o vou ouvir...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mal-me-quer, Bem-me-quer...

Às vezes gostava que o tempo parasse.
E que nessa paragem desaparecessem, ainda que por momentos, as minhas obrigações, os meus afazeres, as minhas solicitações.
Uma paragem em que sentisse liberdade no tempo, no espaço, nas pessoas, nos encontros e desencontros,...
E gostava que parasse para ti também. Uma paragem mútua e em uníssono.
Quando o tempo não pára, não me sinto livre nele mesmo, nem nos espaços, nem nas pessoas, nem nos encontros e desencontros,...
Não sou livre de optar porque o meu tempo não pára...
E gostava que parasse... e que parasse para ti também...
Serias livre de optar e eu perceberia se optarias por mim...
Quando o tempo não pára, não sinto se optas livremente por mim ou se eu te sou imposta, se eu me imponho a ti...
Mas não consigo parar o tempo... e na marioria das vezes o que quero mesmo afinal é que ele corra!
Se ele correr eu vou atrás, na esperança de...
... de que optes por mim, de que queiras estar comigo, de que queiras ouvir-me, de que queiras ver-me...
Se o tempo ficasse agora estático e parado eu não te teria...
... porque não estás aqui e também não sei que opção tomarias...
Na maioria das vezes, quero que o tempo corra para ti,
mas sinto falta
do teu tempo a correr para mim...
Em menina conseguia parar o tempo desfolhando um mal-me-quer, bem-me-quer...
Sabia que naquele instante era livre de conseguir quem me quisesse bem. Contava as pétalas do mal-me-quer e só desfolhava aquele que sabia que ia dar em "bem"!
Hoje já não sei quantas são as pétalas... por isso opto, no tempo que corre e que não consigo parar, por não desfolhar o mal-me-quer, bem-me-quer...
Agora já sabes onde me levar
Agora já sabes onde o sonho me pode levar
A menina de olhos esverdeados e sardas ensina-te o caminho...

Yasamin

Estou a tentar abrir os olhos, sinto uma luz projectada sobre mim, não sei de onde vem, não sei onde estou.
Tapo os olhos da maneira que posso de modo a que consiga habituar-me a esta luminosidade. Ainda assim setas de luz perpassam para o meu rosto e sinto um calor desconhecido.
Apercebo-me neste instante que estou deitada e que sinto por baixo de mim umas rogosidades.
As minhas narinas são seduzidas por um aroma que me é familiar, não encontro a nascente deste rio mas sinto-me inebriada...
Decido movimentar-me, tento abrir os meus olhos mas a luminosidade permanece arrepiante. Tacteio, a minha mão esquerda não consegue exactamente decifrar.
Permaneço deitada.
Lentamente instala-se dentro de mim um aroma fortemente adocicado e quase me sinto desfalecer. Será assim o estado hipnótico? Quero concentrar-me para tentar compreender, mas não consigo focar-me.
Que desconhecido é este? Que coisa é esta que me inebriaga?
Sou interrompida por uma sonoridade... perfumada, arrepiante, eléctrica! Todo o meu corpo responde a este estímulo acutilante, enérgico e... upa! Ergo-me!
Ouço tambores, ouço flauta, ouço cítara, apetece-me flutuar, apetece-me dançar!
E páro... páro estarrecida! Não compreendo o que os meus olhos veêm... que branco meu Deus, que branco, que luminosidade, que brilho, que até a minha mácula se confunde. E este branco reflecte-se...
- Yasamin! Yasamin! Ouço alguém chamar alto.
Yasamin? Que língua é esta? Latim? Mas onde afinal eu estou?
Não reconheço este lugar... não reconheço ninguém!
- Ai!
Grito!
Sinto um puxão nas minhas calças e de imediato olho para baixo.
Vejo uma linda menina de olhos esverdeados. Ela estende-me uma flor e repete: 
- Yasamin
Aceito a flor e ela foge.
- Espera!
Mas não... Uma linda menina de olhos esverdeados e sardas, foge de mim depois de me ter dado aquela bela flor, a mais bela flor... Yasamin.
O meu coração está a galope, quer saltar-me do peito!
Todo o meu corpo é uma multidão de estímulos!
A minha mão esquerda sobe até ao meu rosto corado e quente e tenta acalmar a minha tez. Ouço de novo aquela flauta, aquela cítara mas passou o turbilhão dos tambores.
Não quero acordar agora...
Viro-me... pela primeira vez viro-me...
Que belo... Inesquecívelmente belo... reflectido em mim.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Encontro-me...

Estou aqui, onde mais poderia estar?
Estive lá, onde mais poderia ter ido?
E voltei de novo para aqui, onde mais me poderia encontrar?
E voltarei para lá, ou para outro qualquer lugar
Para me encontrares basta quereres...
Eu fujo? Não... Eu só fujo de mim...
E tu, foges?
Eu sei que sim, foges para o monte das oliveiras como Cristo. Fica em Paz, lá, ninguém, nem eu te podem encontrar, só tu te encontras, assim como eu me encontro agora aqui...