segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Amor por e puro amor

Porque é que amo?Por uma qualquer necessidade?
Mas amar não é qualquer(?)
E que necessidade seria essa?
Amor é necessário?
Porque é que amo?
Por uma busca de mim ou de outo(s)?
Mas amar não é busca(?)
E que eu e outro(s) seria(m)?
Porque é que amo?
Para sentir ou não sentir?
E amor é sentir
porque mesmo quando não sinto já sinto que não sinto
Amor é cheio?
Amor é vazio?
Amor é só?
Amor é junto, é intimidade?

E amor precisa de outro, de matéria, ou basto eu?
Mas amor precisa ou basta-se?

Porque é que amo?
Para que é que amo?
Preciso?
Sinto?
Quero?
Ou simplesmente amo...?

Quando valorizo o teu silêncio em vez do teu diálogo
Quando dou espaço às tuas ausências em vez de dar às tuas presenças
Quando dou primazia aos desencontros em vez de dar às sintonias
Amo?
Amar porque me amas
Amar porque estás aí
Amar porque me ouves e me falas
Amar porque me procuras
Amar porque me dás
Amar assim
Quero amar assim?

Quero amar assim ou quero amar?
Amar porque amo
Amar sem estares aí
Amar sem me ouvires nem me falares
Amar sem me procurares
Amar sem me dares
Amar...
Amor livre
Amor sem barreiras
Amor sem "ses" nem "porquês" nem "mas" nem condições
Amor por amor
Amor puro amor

Amar... quero muito amar...
chegar lá
chegar ao cerne
chegar ao cume
chegar à liberdade de amar

E todas as vezes em que toquei esse amor...
Senti-me eu...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Rumo a ti...

Voo até ti...
Empoleirada numa gaivota
Que de mansinho me espreitou
Que sentiu o meu desespero e estendeu a sua asa
Inclinou a sua cabeça 
Sorriu para mim
Piscou o olho e disse baixinho "vem comigo"
Nem hesitei
Cavalgo agora no seu dorso
Senti o bater das suas asas
Sobrevoo o mar
Vejo lá em baixo em pontos pequenos estes seres humanos 
O cheiro da liberdade me transforma
O toque das penas me projecta ai mais fundo do meu eu
Começo a melhor viagem da minha vida
Rumo a ti
Rumo a nós
Espera-me os teus braços fortes e ternos
E o teu peito onde encontro o meu Porto seguro
Voo até ti
E voarei sempre...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A estrelinha pequenina...

Não tenho dúvidas
Não estou a imaginar
Não há como não ser
O céu está rosado
E não é fim de tarde
E não é filme
E não estou a sonhar
É noite
Está escuro
Mas as nuvens parecem algodão rosado
E há uma estrela
Uma única estrela que me espreita por entre os buracos das nuvens
Uma estrela pequenina brilhante
Está lá
Está lá sempre
Mesmo quando não a vejo
E agora que quase quase a ponta da nuvem rosada a toca e esconderá o seu brilho...
Que será de mim...?
Que será de mim estrelinha pequenina quando partires...?
Tu estas sempre lá eu sei
Tu estas sempre aí eu sinto
Mas estrelinha
Gosto muito quando te consigo ver
Preciso de te ver
E agora que te esconderam só consigo sentir
As enormes saudades que tenho de ti...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Digo tudo?

Prometi que te dizia tudo... Tudo mesmo...
Nem que esse tudo fosse
Não te digo tudo
Mas encontro-me naquele ponto
Em que não sei o que é o tudo...
E se o tudo for eu?
Então
Não te digo tudo
Teria de conhecer todo o eu
Teria de compreender todo o eu
Teria de aceitar todo o eu
Então
Não te digo tudo
Porque o tudo é o eu
E eu do tudo ainda não sei tudo...
Prometi que dizia tudo
E não sei que tudo é
Mas sei que de tudo o que sei
Eu digo tudo...


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aquilegia...

Senti um sopro suave, lento e compassado na minha face
Em esforço quis combater um sono pesado que se aterrou de mim
Como o erguer de um pássaro que é abatido pela asa, quis erguer-me desse peso
No fundo dos meus sonhos avistei aquela montanha dupla
Aquela que me faz lembrar um dinossauro
Solta-se no universo das expectativas o meu sorriso mais terno 
Na realidade, aquela montanha dupla nada tinha que ver com um dinossauro
E no universo das expectativas
a mais bela lembrança
é a da sua expressão visual,
dos traços do seu rosto
do seu olhar brilhante
do seu sorriso maroto
quando me contrapôs aquele paralelo da montanha dupla.
Estaria ela exactamente a pensar no que pensou?

Senti um sopro suave, lento e compassado na minha face
e percebi que era quente
e de compasso incerto
umas vezes binário
outras vezes quaternário
Em esforço quis combater a irregularidade dos batimentos
Como um maestro que faz gesticular a sua batuta, quis reordenar aquele compasso
Senti-me perdido
Senti-me galgar velozmente

Aterro diante de mim
E sinto o buraco sem fundo dos meus sonhos 
Flutuo nos batimentos, agora regulares, de um compasso sem nome
sem maestro
e sem batuta
Há quem lhe chame loucura
Eu chamo-lhe Aquilegia
E pela minha pele
quente,
tensa,
cansada;
escorre em fio
com caudal guiado e frio,
aquele liquido
de arfar ofegante de um dove...

aquilegia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aproxima-se...

Aproxima-se... e vai ser a primeira vez...
Por isso quis vir aqui
Por isso precisava escrever-te...
Sei que terás, tal como eu, os teus momentos de desespero...
Mas quero que saibas
aquilo que já sabes
Quero que sintas
aquilo que já sentes
Quero que sonhes
com aquilo que já sonhas...

Aproxima-se... e vai ser muito dificil....
Por isso é importante que saibas
que te amo profundamente
e que sintas
que estou neste momento a pensar em ti
e que sonhes
comigo, assim como sonho contigo... connosco...

Aproxima-se... e sei que não estás preparado
assim como eu não estou
e que vai doer não te ter
e que vai deixar marca não te sentir
e que sonhar é bem melhor quando estamos juntos...
Aproxima-se meu amor...
mas fica comigo...
tu sabes que eu estou sempre contigo... 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Em 2021...

Quero olhar para trás...
e ter feito aquela viagem sózinha que sempre quis
e ter construido sorrisos por onde passei
e ter comido e bebido aquilo que queria
e ter dado todos os abraços
e ter aprendido mais daquilo que sempre sonhei
e ter saboreado uma noite de amor no mar
e ter alcançado os meus projectos profissionais
e ter ajudado outros a serem felizes

Quero olhar para trás...
e não sentir "ah, e se..."

Quero olhar para trás...
e não sentir culpa... arrependimento...

Quero olhar para trás...
e ter a certeza que hoje
foi o ultimo dia
em que me limitei ao que não queria só para não magoar outros
em que me cingi ao que me é oferecido só porque não tive coragem de lutar por mais

Quero olhar para trás
e ter a certeza
que deixei cair
todas as correntes que me amarram...